O cientista social e ambiental Filipe Magalhães, secretário executivo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Paraíba (ABES-PB) e integrante da Câmara Temática de Mudanças Climáticas da ABES (nacional) e servidor público da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), participou como revisor do Global Environment Outlook 7 (GEO-7), a mais abrangente avaliação científica já realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
O documento, intitulado “Um Futuro que Escolhemos”, foi lançado oficialmente em dezembro de 2025 e reúne o trabalho de 287 cientistas multidisciplinares de 82 países. O estudo funciona como um amplo “check-up” do planeta Terra, analisando o estado atual, as tendências e as perspectivas do meio ambiente global.
A participação reforça a presença de especialistas vinculados ao setor de saneamento brasileiro nos debates internacionais sobre meio ambiente e recursos hídricos. A ABES-PB integrou o processo de revisão do relatório, com a atuação de Magalhães.
Pelo trabalho, o sociólogo nordestino recebeu uma carta de agradecimento do chefe de Ciência do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Maarten Kappelle, que destacou a “inestimável contribuição” dos revisores para assegurar a qualidade científica e a relevância política do documento.
“Os especialistas ajudaram a garantir que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente produzisse um relatório cientificamente confiável, politicamente legítimo e relevante para as políticas públicas”, afirma o comunicado.
Para Magalhães, a participação reforça a importância de aproximar o setor de saneamento brasileiro dos grandes debates ambientais internacionais.
“Foi muito gratificante poder contribuir com esse estudo. Mas ele aponta para um cenário preocupante, de múltiplas crises, em que as respostas institucionais infelizmente não têm acompanhado o ritmo das mudanças ambientais. O meio ambiente é a nossa casa e, se não revermos nosso modelo atual de desenvolvimento, produção e consumo, ele pode nos levar a impactos irreversíveis sobre o bem-estar humano, especialmente entre populações vulneráveis e países de baixa e média renda”, afirma.
No contexto do saneamento, o tema ganha ainda mais relevância. Avaliações recentes do sistema das Nações Unidas alertam que o planeta já entrou em uma era de falência hídrica global, caracterizada pela intensificação de eventos extremos, escassez de água em diversas regiões e crescente pressão sobre os sistemas naturais. Estimativas internacionais indicam ainda que mais de 90% dos desastres registrados no mundo estão relacionados à água e ao clima, reforçando a centralidade da gestão hídrica, da adaptação climática e da infraestrutura de saneamento para a segurança das sociedades.
Um futuro que escolhemos
Publicado periodicamente pela ONU, o Global Environment Outlook (GEO) busca fornecer informações científicas sólidas para auxiliar governos, empresas e a sociedade civil na tomada de decisões sobre questões relacionadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Para isso, o relatório reúne análises de centenas de cientistas sobre temas como qualidade do ar, biodiversidade, oceanos, terra e água doce.
O relatório também chama atenção para um ponto central: as respostas atuais ainda são insuficientes diante da velocidade das mudanças ambientais. Segundo o GEO-7, melhorias graduais, ajustes tecnológicos isolados ou políticas públicas fragmentadas não conseguem enfrentar a escala das transformações em curso. O documento destaca que o ritmo das mudanças ambientais já supera o das respostas institucionais e que existe uma persistente distância entre o conhecimento científico acumulado e sua tradução em decisões políticas efetivas. Para os autores, o desafio atual não é a falta de evidências, mas sim superar falhas estruturais de governança, coordenação e tomada de decisão.
Magalhães destaca ainda que tem buscado aproximar o conteúdo de relatórios internacionais da realidade brasileira. “Nos últimos anos tenho trabalhado com diversos estudos e avaliações globais produzidos por organismos internacionais, sempre com a intenção de traduzir esse conhecimento para o nosso contexto e sensibilizar mais pessoas sobre a dimensão dos desafios ambientais”, afirma.
O pesquisador também se coloca à disposição de instituições, escolas, universidades, organizações e de qualquer pessoa interessada em conhecer melhor o relatório e conversar sobre seus principais resultados.
“A ciência já produziu muito conhecimento sobre esses desafios. O que precisamos agora é ampliar o diálogo com a sociedade e transformar esse conhecimento em ação”, conclui Filipe Magalhães.
Acesse o relatório GEO-7 “Um Futuro que Escolhemos”: https://www.unep.org/news-and-stories/video/future-we-choose

Acesse o relatório GEO-7 “Um Futuro que Escolhemos” (clique aqui)



